- Desculpe, mas eu acho que amar é falar sobre amor, sabe? Foi assim que eu aprendi, a vida inteira, se não for assim, não me sinto completa. Você nunca diz que me ama, é um saco. Por favor, assim não dá. Acho que precisamos dar um tempo. Desde o seu aniversário, quando programei aquela surpresa. Ah? Sei... Surpresas. Sim, talvez tenha sido um pouco demais mandar um email a cada hora dizendo que te amava, mas eu tinha medo que você esquecesse. Ok, também tem a história das flores. Não, não entendo que seja vergonhoso receber um bouquet de rosas vermelhas de hora em hora no escritório. Eu sei que você detesta aniversários. Mas é que eu pensei... Eu pensei que juntos poderíamos mudar esse pensamento. Aniversário é um dia feliz, uma comemoração do dia em que nascemos! Você deveria ficar feliz! Você é um mal humorado! Não, eu não fico tentando mudar você. Só acho que, juntos, podemos ser melhores. Eu sei que sou uma pessoa e você é outra. Ui! Você é um egoísta! Só pensa em você! Eu achei lindo o depoimento que o Rô fez pra Claudinha no Orkut! Ele escreveu que a amava 456 vezes, depois postou 67 fotos dela e embaixo de cada uma escreveu 99 vezes: “você é a razão da minha vida”. Ah, eu acho que todo mundo tem que saber, sim. Não, eu não acho que estou te sufocando. Também não entendo porque você vive reclamando que eu sou insegura. Não sou! Ontem? Só não quero que você fale com ela! Nunca mais! É, acho um desrespeito você ficar falando com outras mulheres enquanto eu deveria ser a única na sua vida! Olha, pelo menos eu falo aquilo que um monte de outras aí ficam pensando! Tudo bem. Acho que você foi mal amado na infância. É, nunca ouviu falar em psicologia? Tudo começa com os traumas da infância. Eu? Sou muito bem resolvida! Você é quem deveria fazer terapia! Tá me chamando de maluca? Ah! Pronto! Agora eu sou maluca! Você é bem normal! Tudo bem, vou embora, mas saiba que todo mundo vai ficar sabendo que, daqui por diante, eu te odeio muito!
sábado, 31 de janeiro de 2009
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Ser
E quando o corpo não responde ao que a razão ordena?
É bem mais simples... Descobrimo-nos humanos.
Demasiadamente humanos.
É bem mais simples... Descobrimo-nos humanos.
Demasiadamente humanos.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Fim de festa
Quando a festa acaba, é hora de arrumar a bagunça e começar de novo.
Sou eu assim. Com as feridas expostas, as unhas roídas, tendo que caminhar.
Aquelas feitas por mim, pelo mundo. Por eu estar no mundo.
Seremos sempre assim, caminhando juntos, às vezes lado a lado, noutras em descompasso.
Junto o meu fracasso e sigo reto.
Gostaria de não olhar pra trás. Posso te falar que não olho. Estaria mentindo. Olho muito. Demais. Muito mais do que gostaria.
Difícil é olhar para dentro. Para o que se é. Não para o que se gostaria de ser. Mas para o que nos tornamos, o que somos. E podemos, sabemos que sim, ignorar por tempos. Curto, médio ou logo o prazo.
O dia chega.
Sou eu assim. Com as feridas expostas, as unhas roídas, tendo que caminhar.
Aquelas feitas por mim, pelo mundo. Por eu estar no mundo.
Seremos sempre assim, caminhando juntos, às vezes lado a lado, noutras em descompasso.
Junto o meu fracasso e sigo reto.
Gostaria de não olhar pra trás. Posso te falar que não olho. Estaria mentindo. Olho muito. Demais. Muito mais do que gostaria.
Difícil é olhar para dentro. Para o que se é. Não para o que se gostaria de ser. Mas para o que nos tornamos, o que somos. E podemos, sabemos que sim, ignorar por tempos. Curto, médio ou logo o prazo.
O dia chega.
sábado, 17 de janeiro de 2009
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Pernas que não te quero
Era pequena, a menina recém-chegada na cidade grande. Menor ainda, quando ouviu a frase que passou a acompanhá-la em suas miúdas pernadas: “Aqui em São Paulo a gente perde a vida e nem percebe...” Nunca mais ousou dar um passo maior do que aperna.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Em, constante, construção
Sono. Café requentado. Pão com queijo. Texto. Corta, cola, pensa, produz, digita. Raciocínios, múltiplos, convergem, divergem, discutem, explodem. Porcaria! Choro. Cansaço. Cama. Cobertor. Consolo. Não vão entender. Eu não entendo. Rua. Pessoas. Puxa o ar com força para expandir os pulmões. É poluído. Só assim alivia. Dor. Física. Atividade. Aeróbica. Cadeira. Tela. Cheia. De letras. Monta o quebra-cabeça. Traz minha auto-estima de volta. Quero ver isso pronto. Para isso tem que fazer.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
A vida que se vive é a vida que se leva
Para ele, sempre havia um começo.
Vivia a planejar.
Voava, voava, voltando sempre para o mesmo lugar.
Se tentavam lhe alertar, logo tratava de assegurar:
- Quando tudo estiver pronto, volto a me preocupar!
Mas, assim mesmo era que vivia num desassossego. Esperava pela certeza para seguir. Não lho avisaram que era bobagem, viveria a esperar, simples assim. Bobagem, porque "A Certeza" deveria sempre vir acompanhada de um “s”, já que não é única, “verdades” estão sempre se transformando, na velocidade em que mudam os pensamentos. Estão longe de universalidades estáticas, cartilhas prontas que aprendemos como imutáveis. As ditas “verdades” são construídas, na medida em que a construímos, em um movimento inconstante.
Ele jamais deu um passo em falso, perigava cair. Não lho disseram que da queda se levanta, nem tão simples assim. E continua lá, sentado, planejando, esperando que tudo se ajeite para arregaçar as mangas e, dessa vez sim, colocar os seus planos em prática. Afinal, foram muitas resoluções para 2009, fez, inclusive, uma listinha. Certamente, os planetas se alinharão – o horóscopo não mente jamais -, ganhará aquele aumento - a chefe megera será demitida -, e ele poderá demonstrar todo o seu brilhantismo empresarial, o time será tri-campeão, a namorada passará o carnaval com a família, dela, em Sapopemba, e, aí sim, tudo estará perfeito, simples assim.
Vivia a planejar.
Voava, voava, voltando sempre para o mesmo lugar.
Se tentavam lhe alertar, logo tratava de assegurar:
- Quando tudo estiver pronto, volto a me preocupar!
Mas, assim mesmo era que vivia num desassossego. Esperava pela certeza para seguir. Não lho avisaram que era bobagem, viveria a esperar, simples assim. Bobagem, porque "A Certeza" deveria sempre vir acompanhada de um “s”, já que não é única, “verdades” estão sempre se transformando, na velocidade em que mudam os pensamentos. Estão longe de universalidades estáticas, cartilhas prontas que aprendemos como imutáveis. As ditas “verdades” são construídas, na medida em que a construímos, em um movimento inconstante.
Ele jamais deu um passo em falso, perigava cair. Não lho disseram que da queda se levanta, nem tão simples assim. E continua lá, sentado, planejando, esperando que tudo se ajeite para arregaçar as mangas e, dessa vez sim, colocar os seus planos em prática. Afinal, foram muitas resoluções para 2009, fez, inclusive, uma listinha. Certamente, os planetas se alinharão – o horóscopo não mente jamais -, ganhará aquele aumento - a chefe megera será demitida -, e ele poderá demonstrar todo o seu brilhantismo empresarial, o time será tri-campeão, a namorada passará o carnaval com a família, dela, em Sapopemba, e, aí sim, tudo estará perfeito, simples assim.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Parei, sem olhar pra trás
É bom relembrar os velhos tempos...
Porém, melhor saber que estamos construindo novos caminhos...
Tristes daqueles que vivem presos ao passado.
Porém, melhor saber que estamos construindo novos caminhos...
Tristes daqueles que vivem presos ao passado.
Sempre, Woody
Trocaram olhares.
Tomaram uns drinques.
Desceram-dançaram.
O som explodia. Grudados no canto, gargantas gritavam:
- Woody Allen é o cara!
- Nunca assisti.
- Nunca?
- Quando criança, meu pai me deixava ver de madrugada.
Despediram-se um mês depois, sem ela haver assistido aos tais filmes de Allen. Ele não se conformava. Os da infância não contavam, já nem se lembrava mais.
Um ano depois, acabava de assitir ao último filme do Woody. Não tinha remédio, haviam lhe avisado: depois da primeira dose, vicia.
Em casa, o telefone tocou.
- Acabei de ver o Woody no cinema.
- É bom?
- O cara simplesmente me fez reacreditar no amor.
- No amor? Mas ele é um irônico!
- Você também pode assistir Sex and the City!
Tomaram uns drinques.
Desceram-dançaram.
O som explodia. Grudados no canto, gargantas gritavam:
- Woody Allen é o cara!
- Nunca assisti.
- Nunca?
- Quando criança, meu pai me deixava ver de madrugada.
Despediram-se um mês depois, sem ela haver assistido aos tais filmes de Allen. Ele não se conformava. Os da infância não contavam, já nem se lembrava mais.
Um ano depois, acabava de assitir ao último filme do Woody. Não tinha remédio, haviam lhe avisado: depois da primeira dose, vicia.
Em casa, o telefone tocou.
- Acabei de ver o Woody no cinema.
- É bom?
- O cara simplesmente me fez reacreditar no amor.
- No amor? Mas ele é um irônico!
- Você também pode assistir Sex and the City!
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