Chega um dia em que, não adianta, você tem que dobrar as suas roupas. Importa muito pouco aquilo que você não faça: elas não se arrumarão sozinhas. Imaginá-las se autodobrando não funciona. Trabalho nenhum, dias, talvez meses, jogando peça por peça, atulhando cada uma descuidadamente. Agora você não encontra mais nada, virou uma confusão: um bolo amorfo multicolorido.
A cabeça funciona mais ou menos do mesmo jeito. Quanto mais amontoa, mais embola. Só que é pior. Não dá pra ver. Apenas sentir. Muito. Vamos empurrando a bagunça pra um fundo. Os fundos sempre são um mistério, achando que, PLOFT!, ela desaparecerá.
No limite, de tão abarrotado, algo parece prestes a transbordar. Você, devagar, abre a porta do armário e acaba sendo soterrada por um monte de roupas e de pensamentos que estavam esperando a oportunidade certa para explodir. Ou senta e dobra uma por uma, recolocando-as nas pilhas, para que fiquem organizadas, ou atura o sofrimento, enterrada sem ar, esmagada pelo desnecessário.
A cabeça funciona mais ou menos do mesmo jeito. Quanto mais amontoa, mais embola. Só que é pior. Não dá pra ver. Apenas sentir. Muito. Vamos empurrando a bagunça pra um fundo. Os fundos sempre são um mistério, achando que, PLOFT!, ela desaparecerá.
No limite, de tão abarrotado, algo parece prestes a transbordar. Você, devagar, abre a porta do armário e acaba sendo soterrada por um monte de roupas e de pensamentos que estavam esperando a oportunidade certa para explodir. Ou senta e dobra uma por uma, recolocando-as nas pilhas, para que fiquem organizadas, ou atura o sofrimento, enterrada sem ar, esmagada pelo desnecessário.
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