Tão cansada. Sem dormir, ou dormindo muito.
Sentindo que o mundo acabará amanhã, ou daqui um minuto.
Ela prende o cabelo no alto da cabeça, sentindo-se menos sexy do que nunca.
Tenta em vão o vestidinho floral tomara-que-caia, só faz mostrar seu ombrinho ossudo.
Quer apenas um abraço para saber que tudo vai acabar bem.
Deseja garantias de que o outro lado será melhor, mesmo sabendo que garantias não existem.
Segue arriscando-se, apesar de nunca ter vivido tanto dentro da risca.
Esconde-se atrás dos gigantes óculos; não de ninguém, dela mesma.
Gosta de não saber realmente quem é. Busca a resposta nos outros.
Tanta complexidade assim, só alguém pode explicar.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Deixa-me viver no caos
O mundo é dos aflitos, e salve-se quem puder.
Apenas não se esqueça: a minha aflição é maior que a sua e sempre será.
Somos mesmo individualistas megalômanos, sempre achando que podemos resolver tudo, mesmo aquilo que não depende do nosso esforço.
Sofremos, sofremos muito. Em vão padecemos, e sem angústia não vivemos. É a nossa melhor desculpa.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Em descoberta do seu (infindável) limite
A garganta fechou.
Por tudo aquilo que não pude dizer.
Por tudo mais que não pude fazer.
Percorreu meu corpo, formigando os dedos dos pés, passando pelo estômago, chegando a escapar pela cabeça em pontilhados preto e branco.
Forcei as narinas para deixar passar o ar, espesso demais.
A lamúria explodiu no limite, encontrando a própria fronteira de mim.
Nalguns momentos me deparo com um muro intransponível.
Quando volto a encontrá-lo, não passa de uma mureta.
Por tudo aquilo que não pude dizer.
Por tudo mais que não pude fazer.
Percorreu meu corpo, formigando os dedos dos pés, passando pelo estômago, chegando a escapar pela cabeça em pontilhados preto e branco.
Forcei as narinas para deixar passar o ar, espesso demais.
A lamúria explodiu no limite, encontrando a própria fronteira de mim.
Nalguns momentos me deparo com um muro intransponível.
Quando volto a encontrá-lo, não passa de uma mureta.
Com o tempo, segue diminuindo, até que eu não mais a veja, mesmo que ainda a procure.
Sigo buscando, até deparar-me com tijolos, que me guiam a construir um novo muro, ou um novo caminho.
Sigo buscando, até deparar-me com tijolos, que me guiam a construir um novo muro, ou um novo caminho.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Despejada de mim
Sua originalidade perdia-se no brilhantismo dos outros
Sabia, um dia ainda chegaria
Nesse dia, acharia coragem
A voz não tremeria, as mãos não suariam
O interior não mais brincaria de contorcionista
Olharia altiva
Pensamentos retilíneos lhe guiariam
Plena de si
Nesse dia, sentiria falta das idéias tortas
Dos buracos
Das partes que faltam e lhe fazem completa
Buscaria seus espaços desabitados
E sentiria-se em casa
Sabia, um dia ainda chegaria
Nesse dia, acharia coragem
A voz não tremeria, as mãos não suariam
O interior não mais brincaria de contorcionista
Olharia altiva
Pensamentos retilíneos lhe guiariam
Plena de si
Nesse dia, sentiria falta das idéias tortas
Dos buracos
Das partes que faltam e lhe fazem completa
Buscaria seus espaços desabitados
E sentiria-se em casa
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
É o ponto final
Ele declamava os mais lindos poemas sem ter noção do que dizia.
Emocionava platéias, fazia-me chorar.
Seu olhar contava histórias, levando-me.
Seu silêncio, denso demais, fazia-me aos pedaços.
Sentíamos sem entender.
Quando buscamos um sentido, percebemos que não havia.
Sofremos nas exclamações e nos parênteses.
Busquei as nossas causas, para chegar as minhas conseqüências.
Ele saiu, eu permaneci.
Ele em outra, eu na mesma.
Os porquês? Encontrei muitos. Nenhum que me satisfizesse.
Continuei procurando.
Até entender que era essa ausência de explicação que tornava o sentimento delicioso
Emocionava platéias, fazia-me chorar.
Seu olhar contava histórias, levando-me.
Seu silêncio, denso demais, fazia-me aos pedaços.
Sentíamos sem entender.
Quando buscamos um sentido, percebemos que não havia.
Sofremos nas exclamações e nos parênteses.
Busquei as nossas causas, para chegar as minhas conseqüências.
Ele saiu, eu permaneci.
Ele em outra, eu na mesma.
Os porquês? Encontrei muitos. Nenhum que me satisfizesse.
Continuei procurando.
Até entender que era essa ausência de explicação que tornava o sentimento delicioso
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
O meu charme de anormal
- Preciso de um médico. Tenho andado muito, muito, doente.
- O que você tem?
- Fico o dia inteiro pensando, mas pensando muito. E, quando tento parar, não consigo.
- E você acha que um médico poderia lhe ajudar?
- Claro! Só um médico poderia me ajudar. É algo muito estranho, eu vivo num mundo só meu, sabe?
- Engraçado, eu também vivo no meu. Será que algum dia já nos encontramos em algum universo paralelo?
- Fico tentando imaginar o que as pessoas pensam. Acabo chegando a conclusão que não pensam como eu, acho que elas pensam menos...
- Talvez elas pensem menos bobagens...
- Acho que a minha doença não tem cura.
- Só os saudáveis se fazem doentes, quem é doente de verdade não fica se questionando. É doente e ponto.
- O que você tem?
- Fico o dia inteiro pensando, mas pensando muito. E, quando tento parar, não consigo.
- E você acha que um médico poderia lhe ajudar?
- Claro! Só um médico poderia me ajudar. É algo muito estranho, eu vivo num mundo só meu, sabe?
- Engraçado, eu também vivo no meu. Será que algum dia já nos encontramos em algum universo paralelo?
- Fico tentando imaginar o que as pessoas pensam. Acabo chegando a conclusão que não pensam como eu, acho que elas pensam menos...
- Talvez elas pensem menos bobagens...
- Acho que a minha doença não tem cura.
- Só os saudáveis se fazem doentes, quem é doente de verdade não fica se questionando. É doente e ponto.
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